“Precisamos que alguém abrace nossa causa”: após nova chuva, moradores cobram solução definitiva em Arroio Grande

Marina Brignol e Rian Lacerda

“Precisamos que alguém abrace nossa causa”: após nova chuva, moradores cobram solução definitiva em Arroio Grande

Foto: Rian Lacerda (Diário)

A chuva intensa registrada na última sexta-feira (1º) voltou a causar transtornos na localidade de Três Barras, no distrito de Arroio Grande, em Santa Maria. O volume elevado de precipitação danificou acessos, destruiu cabeceiras de pontes e deixou 30 famílias isoladas, repetindo um cenário que moradores afirmam se arrastar desde 2024.

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Mesmo com a diminuição da chuva, os reflexos ainda são visíveis na região. Empontos da Estrada dos Fernandes, a força da água alargou o leito do rio, arrastou árvores e comprometeu a estrutura de passagens.

De acordo com a prefeitura, cerca de 14 famílias permaneciam isoladas até a manhã desta segunda-feira (4).


“O que tem sido feito até agora é tudo paliativo”

No local, o cenário é de destruição: trechos de estrada interrompidos, erosão nas margens e acúmulo de entulhos levados pela correnteza. Uma passagem molhada recentemente inaugurada não foi atingida diretamente, mas os acessos a ela ficaram comprometidos após danos nas cabeceiras.

Foto: Rian Lacerda (Diário)

O problema afeta diretamente a mobilidade dos moradores, que ficaram sem conseguir atravessar entre diferentes pontos da localidade.

Moradora de Três Barras, Daniele Fernandes relata que a situação se repete a cada novo episódio de chuva forte:

– O estrago aqui foi de novo nas cabeceiras. O pessoal ficou sem passagem, não teve como passar. Teve gente que ficou de um lado do rio e não conseguiu voltar – conta.

Segundo ela, a comunidade já havia alertado as autoridades semanas antes:

Uns 15, 20 dias antes já tínhamos pedido ajuda. O que tem sido feito até agora é tudo paliativo, nada resolve.

A principal reivindicação dos moradores é o desassoreamento dos rios da região.

Com 100, 150 milímetros de chuva já fica tudo perdido, moradores ilhados. Precisamos  de uma solução para ter o direito de ir e vir – afirma.

Foto: Rian Lacerda (Diário)

Diante da previsão de mais chuva ao longo do ano, os moradores também preparam um documento para entregar ao governador Eduardo Leite, que cumpre agenda em Santa Maria nesta segunda-feira.

Precisamos que alguém faça alguma coisa por nós, que abrace a nossa causa. Não adianta fazer algo que a próxima chuva leva embora – completa.


Prefeitura atua para restabelecer acessos

Segundo o secretário de Resiliência Climática e Relações Comunitárias, Edson das Neves, as equipes municipais atuam desde o fim de semana para recuperar os trechos atingidos.

– As cabeceiras foram levadas, mas já estão sendo recompostas. As equipes estão desde o amanhecer trabalhando – afirma.

Ainda conforme o secretário, os principais pontos afetados seguem nas estradas dos Fernandes e dos Fontanas:

Temos cerca de 14 famílias isoladas. A previsão é de que ainda hoje esses acessos sejam restabelecidos, voltando à normalidade emergencial – diz.

Apesar dos danos, não houve registro de feridos, desalojados ou desabrigados.

– Foi uma chuva intensa e rápida. Fizemos os atendimentos ainda na noite de sexta-feira – completa.


Evento reforça preparação após tragédia de 2024

As falas do secretário ocorreram durante um seminário sobre comunicação de risco e desastres, realizado na Universidade Franciscana. O evento integra a programação que relembra os impactos dos eventos climáticos de 2024 no Estado.

– O que aconteceu em 2024 precisa ser revisitado para que aprendamos com esses eventos. A comunicação é uma das ferramentas que mais salvam vidas – destaca.

Segundo ele, Santa Maria avançou na preparação, mas o processo é contínuo:

Trabalhar com desastres é lidar com incertezas. A preparação precisa ser permanente, com diagnóstico, planejamento e informação chegando à população – afirma.


Problema recorrente

A situação em Arroio Grande reforça um problema já conhecido: a vulnerabilidade das regiões do interior diante de chuvas intensas. Na última sexta-feira, cerca de 30 famílias chegaram a ficar isoladas no distrito.

Desde 2024, episódios semelhantes vêm sendo registrados, com impactos em estradas, pontes e no deslocamento de moradores.

Enquanto o poder público atua na recuperação emergencial dos acessos, a comunidade cobra medidas estruturais que evitem que o problema volte a se repetir a cada novo período de chuva.

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